Por: Luiz Otávio de Castilho
Se Não Neste Tempo – Pintura Alemã Contemporânea 1989-2010
A pintura produzida nas duas últimas décadas na Alemanha reunificada após a queda do Muro. A exposição traz 83 obras de 26 expoentes da arte produzida em Berlim, Leipzig, Dresden, Hamburgo, Düsseldorf, Munique e Karlsruhe.
Primeiro de tudo, queria comunicar que esta foi a minha primeira visita a um museu. Sim, eu sei, admitir isso em um curso “artístico” é dolorido, principalmente em uma época onde há trinta gênios por m² em uma sala de aula e onde a imagem de intelectual é mais importante quanto a própria produção de “obras” (quando há alguma). Coloco grande parte da culpa no interior (onde cresci), em que a arte tem pouquíssimos investimentos, quase nulo para falar a verdade, oficialmente pode até constar alguma verba, porém é repassada aos bolsos dos prefeitos e secretários; claro que há exposições independentes e diversas outras coisas, mas são muito mal divulgadas. Seria hipocrisia também jogar toda a responsabilidade nesses quesitos, eu não fiz a minha parte, poderia sim ter ido muito mais vezes, mas não fui, e sinto um grande vazio em meu repertório. Enfim, vamos ao que interessa.
Entrei no MASP e logo fui ao subsolo onde se encontrava a exposição, ela se divide em dois andares. Ao entrar no salão principal, um funcionário indica qual caminho devo fazer (deveria seguir pela esquerda e contornar, não podia começar pela direita), achei isso engraçado, sempre pensei que podíamos nos movimentar livremente (depois descobri que era apenas naquela parte). Este mesmo funcionário me seguiu por todos os lados, pensando provavelmente que eu retiraria uma tesoura de meu bolso e picotaria os quadros, isso me causou pânico, uma mania de perseguição, não consegui ficar a vontade, ele me olhava como se não era para eu estar ali; bom, talvez tenha sido apenas coisa da minha cabeça.
As obras são magníficas, há uma grande pluralidade de idéias, formas, ideologias políticas. A exposição é de uma Alemanha reunificada, mas as divisões que antes eram geográficas e culturais, ainda estão presentes na arte, mesmo após a queda do Muro de Berlim.
Podemos fazer uma divisão entre um realismo socialista, e uma pop art capitalista, pelo menos foi o que consegui notar. Vários estilos são representados, do abstrato ao figurativo, de uma estética de rua “poluída” a uma arte acadêmica altamente elaborada.
Artistas como Jörg Immendorff, Daniel Richter, entre outros, possuem obras prazerosamente perturbadoras, com uma psicodelia incrível, fazem alusões a queda do Muro, autoridades e religião, por outro lado, a pop art desse período não me atinge em nenhum nível, considerei mais do mesmo, há clichês como retratar super-heróis americanos distorcidos e o homem “sem rosto” com corpo de coca-cola (dos pintores Andreas Hofer e Werner Büttner).
No andar de baixo, há uma cópia de “Guernica” de Tatjana Doll, onde os traços são propositadamente “ruins”, me deu uma sensação estranha, nunca tive oportunidade de ver o original, e não sei se a intenção foi ser uma homenagem ou uma descontrução da obra.
Por fim, aproveitei e passei pela exposição do Romantismo nos andares acima, antes do ticket da zona azul da Rafaela (que estava comigo) esgotar o tempo.
Algumas imagens (não consegui encontrar minhas obras favoritas):


Informações gerais:
Em exposição:
19 de setembro de 2010 a 9 de janeiro de 2011 – terça a domingo das 11h às 18h, e às quintas-feiras das 11h às 20h.
Local:
Galeria Clemente de Faria, 1º subsolo do MASP
Curadoria:
Teixeira Coelho e Tereza de Arruda
Aqui um link de álbum da Folha com diversas imagens da exposição:
http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/995-pintura-alema-contemporanea-1989-2010